Nem deu para desfazer as malas direito de Maresias. E seguimos para outra viagem.
Porque ir para outra corrida, sem mencionar a aventura que foi Bertioga/Maresias, seria um sacrilégio.
Agora, quando a outra corrida é uma prova de montanha noturna, em São Bento do Sapucaí, onde o objetivo é chegar até a Pedra do Baú e voltar, ai a coisa muda de figura. Saimos do nível do mar na semana passada, e escalamos quase 1700 metros. Foi muito bom essa variação. A gente ainda estava vivendo a corrida anterior, a praia e caímos nessa outra prova, campos vastos, montanhas sem fim, e uma paisagem totalmente diferente da semana passada. Ambas lindas. Ambas em São Paulo. Incrível isso.
A largada foi as 20 horas. Era a prova final do campeonato paulista de corridas de montanha 2011. Corremos todas as provas esse ano. Eu fiz todas as provas longas (12 km ou 24 km) e a Glau variou, com 2 provas de 6 km (estava com o dedo quebrado) e todas as outras iguais. Foi assim que corremos os mesmos percursos. Mesmo nos curtos, quando bifurcava para cada um seguir seu trajeto.
Voltando à prova, logo no início, começava uma subida. Leve, depois moderada, depois pesada e logo passou a ser interminável. Inacreditável, mas foram 5 km de subida pesada, com pedras, pó e escuridão. Se não fossem as lanternas e os dois pontos de água, um seguido do outro a gente tinha definhado lá. A Glau fica muito ansiosa em todas as provas, qualquer que seja. E o começo sempre é pior.
Agora, nessa prova, onde o começo já foi extremo, ela disse que só não parou por que estávamos correndo juntos, e eu tinha o camelbak para dividir. Ela tinha as garrafinhas no cinto mas fica tão tensa que esquece de beber. No km 4 dei uma disparada e fiquei esperando ela ao lado de um staff, no alto do morro. Estava demorando muito cada trecho e isso estava me cansando a menteEla chegou, tomamos um gel, mais água e seguimos o percurso. Alguns pontos tinham somente um barbante indicando o caminho, em outros as bandeirinhas e uns bastões refletivos, mas bem pequenos. Era difícil de ver mas fazia parte da aventura.
Começamos a pegar a trilha que fazia a descida para a cidade. Ela ainda estava pequena, somente se avistavam as luzes ao longe e o traçado das ruas. Mas nem dava para olhar muito porque a descida era muito forte, cheia de buracos, valas e muitas pedras escorregadias. Estava fácil né.
Ao fazer um curva, já na descida, gritei para a Glau ir com cautela. Ela ainda estava no alto do morro. Mas dava para ouvir porque o silêncio lá era grande. Ela respondeu e eu aproveitei para acelerar. Vi que ela estava mais confiante e o caminho agora era só descer. Mesmo não sendo fácil, dava para ir.
Alguns relâmpagos já brilhavam no céu e clareavam a trilha. Mas se a chuva chegasse seria um tormento. A temperatura estava boa, mas ainda faltava chão. Melhor se não chovesse mesmo.
Nos 2 kms finais, eu estava fazendo abaixo de 5 min/km. Passei algumas pessoas e ninguém mais me passou. Na cidade, as pessoas batiam as panelas e a criançada nas ruas aplaudiam. Putz força dava aquilo. Muito bonito e emocionante.
Já tinha dado 12km no relógio e nada de chegada, quando comecei a avistar a igrejinha, os cones, o pórtico, a galera gritando… pronto cruzei a reta final. Tive picos de tempos: um dos piores e um dos melhores por quilómetro na mesma corrida. Ai, pega a medalha, come melância, cumprimenta a galera e fico aguardando a Glau. Ela chegou bem, isso foi o mais importante. E sem chuva!
Essa prova foi a mais técnica do campeonato. Não foi a mais longa – Extrema teve 24km –, mas foi uma das provas inesquecíveis de se correr.
Os pontos de água estavam no local certo. Foi bem inteligente ter colocado 2 pontos, um seguido do outro na subida de 5 km, e muito boa a variedade de hidratação na chegada com frutas, isotônico, arroz-doce e água. Os resultados sairam logo na sequência, sendo fixados no mural e a prova, para nós, foi mais uma lição de respeito ao meio ambiente e ao próprio corpo. Na montanha você precisa refletir sobre você mesmo, como está, como treinou e até onde aguenta. Assim, tudo acaba bem.
Para falar de São Bento vou começar pelo caminho até lá. Parece aquelas estradinhas de filme, bem arborizadas, curvas fechadas, mas bem sinalizada. Você cruza Pinhal para ir até Snao Bento. Chegando lá, foi fácil achar nossa pousada.
Outra surpresa. Normalmente as fotos enganam. Não foi diferente. O que espantou foi que a foto, era pior do que a pousada realmente é. Muito bonita. Um quarto grande, lareira, frigo, tudo bem arrumado. Além disso, piscina, sauna… pô tava até pensando em não correr mais.
Depois da corrida fomos comer um lanche na cidade. Num Massuiama de lá (lanchonete de Duartina/SP). Lanche do interior sempre é bom. e lá não ficou devendo. A chuva que ameaçava na corrida chegou. Forte. Esperamos o máximo que deu. Até a dona da lanchonete ia ligar apara o táxi da cidade, mas a gente viu que diminuiu um pouco e fomos. 20 metros para frente a chuva apertou e, mesmo estando perto da pousada ficamos ensopados. Mas valeu. Lavou a alma. E fechou o final de semana. Muito bom!
As próximas provas não estão definidas mas provavelmente sejam VW Run (corrida da Volkswagen) ou a etapa final da Athenas. Ambas em novembro. Dezembro será a vez da São Silvestre, mais uma vez. Dessas três, só duas provas e chega, por esse ano, claro.

Glau na pousada.

Bicudos em ação.

A casinha da princesa. kkk

Zangado Grrrrrr!

São Bento, respira arte, cultura, mosaicos e simpatia.

Não, não foi aqui que lanchamos rsrs

Que beleza!

Bem antes da prova, pegando os kits

Pronto, agora é só correr.
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